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Mostrando postagens de abril, 2013
Cartogatti "Solo nosotros sabemos estar distantemente juntos."               Julio Cortázar

A hora do Cansaço

As coisas que amamos, as pessoas que amamos são eternas até certo ponto. Duram o infinito variável no limite de nosso poder de respirar a eternidade. Pensá-las é pensar que não acabam nunca, dar-lhes moldura de granito. De outra matéria se tornam, absoluta, numa outra (maior) realidade. Começam a esmaecer quando nos cansamos, e todos nos cansamos, por um ou outro itinerário, de aspirar a resina do eterno. Já não pretendemos que sejam imperecíveis. Restituímos cada ser e coisa à condição precária, rebaixamos o amor ao estado de utilidade. Do sonho de eterno fica esse gozo acre na boca ou na mente, sei lá, talvez no ar.                                                 Carlos Drummond de Andrade

Imerge no rio aquele que a água ama

Chuvosamente vai anoitecendo essa quarta-feira... Eu, cansada, depois de um dia lotado de compromissos, tento relaxar... Remexo, arrumo e desarrumo minhas agendas - sim, eu tenho várias: porque gostei da capa de uma; porque ganhei de uma amiga; porque comprei para iniciar o ano - e encontro frases soltas, um monte de anotações: algumas  me fazem recordar, outras não me dizem mais nada. Entre tantas, achei um provérbio que anotei na página de uma das agendas, em julho de 2009: "  Imerge no rio aquele que a água ama",  de "O matrimônio  do céu e do inferno do poeta Willian Blake... Sem alusão direta a chuva que cai lá fora, acho que o provérbio resume meu tempo atual: imergir, entregar-me por inteiro ao amor, à vida, à profissão. Viver com (sim esta é a preposição escolhida) corpo e alma os gostos, as manias, os planos e os sonhos; as tristezas e cansaços também!! E fazer das tripas coração para valer à pena... Imergir no rio!!