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Mostrando postagens de setembro, 2012

A primavera nos tempos do cólera

Eu nasci no inverno. Em uma manhã, na final da Copa do Mundo de 70. O Minuano que soprava, segundo a minha mãe, gelava o corpo de qualquer vivente. Mãos frias, corações quentes... Eu gosto do inverno. Não me deprimem as manhãs pintadas de cinza, sinto saudade nos entardeceres de sépia e me seduzem as noites de céu limpo e estrelado. Convivo bem com as roupas pesadas, as mantas enroscadas no pescoço, os pés gelados e a vontade de ficar dormindo até mais tarde, depois do despertador, para aproveitar o "quentinho" da cama, conquistado bravamente durante a madrugada. Sentir o frio faz parte da minha identidade: é como me sinto gaúcha em qualquer canto do Brasil. O som do vento que sopra nos fios, bergamota no sol, cheiro de café; chuva tocada à vento; temporais; vinho tinto, aconchego com a família e os amigos; churrasco aos domingos... Alunos sonolentos, gentes aproveitando porções de sol em semanas em que é possível virar sapo são imagens pessoais, mas emblemátic...

Para Mario, con cariño...

Gracias, querido Benedetti, por decir lo que nadie dice, por desvelar los que todos saben pero no quieren admitirlo... Gracias, Mario, por sentir de forma aguda, trascendiente... Y por haber llenado de ternura y humanidad, el mundo en sus días más grises...

Viver, movimento diário no mundo

  http://carolinebastosvicente.blogspot.com.br/2011/11/olhando-algumas-fotos-antigas-revivo.html    De uma certa forma, é positivo sentir ou provar de uma certa dose de nostalgia e melancolia. Sem desejarmos, estes sentimentos acabam por desacelerar uma rotina cheia de pressa, dão  leveza aos nossos movimentos diários no mundo... Nostálgicos e melancólicos  a vida nos chega  frágil e aguda. Multifacetada, nos cobre de lembranças, de passado. Nostálgicos, lembramos pontualmente. Melancólicos, não temos certeza do que lembramos, sentimos a memória e a vida nos dói. Assim, nostalgia e melancolia nos ajudam a sentir o presente e não perdê-lo de todo entre horas, correrias e consumo louco. Claro, lembrar não é viver. Tampouco reviver. A vida é maior, mais intensa, mais complexa. Lembranças são  colchas de retalhos em que cada quadro tem a cor de um tempo intensamente vivido;  tapeçarias customizadas com escolhas e arrependimen...

Carpe Diem

(...) carpe diem quam minimum credula postero. "Colha o dia, confia o mínimo no amanhã Não pergunte, saber é proibido, o fim que os deuses darão a mim ou a você, Leuconoe, com os adivinhos da Babilônia, não brinque. É melhor apenas lidar com o que cruza o seu caminho Se muitos invernos Jupiter te dará ou se este é o último, que agora bate nas rochas da praia com as ondas do mar Tirreno, seja sábio: beba seu vinho e para o curto prazo reescale suas esperanças. Mesmo enquanto falamos, o tempo ciumento está fugindo de nós. Colha o dia, confia o mínimo no amanhã."