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Mostrando postagens com o rótulo eu

"No dejes que las apariencias te engañen porque no son más que máscaras".

Sou morena entre loiras, ruivas e negras. Minha alma é distraída: só se encontra na imaginação. Tropeço nos meus próprios pés. Trabalho com o que amo. Tenho pequenos luxos, minhas bondades e um tantinho de poeira para esconder embaixo do tapete.  Quem não a tem? Vícios? Confessáveis: chocolate, livros... Gosto das manhãs; o pôr do sol me deixa triste. Gosto de ficar de pijama e  andar pela minha rotina, sem fazer nada, dona do meu tempo. Leio Julio Cortázar, mas também literatura best-seller  Gosto de casaquinhos de lã, dos meus pés descalços na areia; Gosto de praia, do mar com ondas, mas da água calma da piscina,  No verão ou no inverno, gosto de sentir o vento  no cabelo, a areia nos pés. O cheiro da  maresia...me faz sentir saudade. Eu gosto das tempestades. Gosto de surrealismo,  de Realismo Fantástico,  de “Alice no País das Maravilhas”. Aprecio a reciprocidade, a cumplicidade. Amo dirigir. Um sa...

Sem tempos mortos...

" A impressão que eu tenho é de não ter envelhecido embora eu esteja instalada na velhice. O tempo é irrealizável. Provisoriamente, o tempo parou pra mim. Provisoriamente. Mas eu não ignoro as ameaças que o futuro encerra, como também não ignoro que é o meu passado que define a minha abertura para o futuro. O meu passado é a referência que me projeta e que eu devo ultrapassar. Portanto, ao meu passado eu devo o meu saber e a minha ignorância, as minhas necessidades, as minhas relações, a minha cultura e o meu corpo. Que espaço o meu passado deixa pra minha liberdade hoje? Não sou escrava dele. O que eu sempre quis foi comunicar da maneira mais direta o sabor da minha vida, unicamente o sabor da minha vida. Acho que eu consegui fazê-lo; vivi num mundo de homens guardando em mim o melhor da minha feminilidade. Não desejei nem desejo nada mais do que viver sem tempos mortos." Trecho da Peça VIVER SEM TEMPOS MORTOS, inspirada na correspondência de Simone de Beauvoir ...

A primavera nos tempos do cólera

Eu nasci no inverno. Em uma manhã, na final da Copa do Mundo de 70. O Minuano que soprava, segundo a minha mãe, gelava o corpo de qualquer vivente. Mãos frias, corações quentes... Eu gosto do inverno. Não me deprimem as manhãs pintadas de cinza, sinto saudade nos entardeceres de sépia e me seduzem as noites de céu limpo e estrelado. Convivo bem com as roupas pesadas, as mantas enroscadas no pescoço, os pés gelados e a vontade de ficar dormindo até mais tarde, depois do despertador, para aproveitar o "quentinho" da cama, conquistado bravamente durante a madrugada. Sentir o frio faz parte da minha identidade: é como me sinto gaúcha em qualquer canto do Brasil. O som do vento que sopra nos fios, bergamota no sol, cheiro de café; chuva tocada à vento; temporais; vinho tinto, aconchego com a família e os amigos; churrasco aos domingos... Alunos sonolentos, gentes aproveitando porções de sol em semanas em que é possível virar sapo são imagens pessoais, mas emblemátic...

Existem...

A Árvore Cinzenta, Mondrian (Holanda, 1872-1944), óleo s/ tela Exitem milhares de formas e fórmulas que posso usar... Sei a fórmula ideal para fazer que gires e me olhes. Te fazer sorrir, não me toma mais tempo que expor a química perfeita que brota de nós dois. Posso te levar pela mão até nosso futuro, nesse em que estamos sozinhos no paraíso de que sempre falamos e construímos dia a dia... Posso entrar até o mais profundo de teus sonhos para habitar aí, livre e tranquila, como se este lugar estivesse reservado para mim desde sempre.  A única coisa que não posso, o que me faz com que me sinta frágil, boba e agoniada, é a indecifrável maneira de te ter junto a mim.

Metades

 Ilustração Maggie Taylor                  'Descobri o grande paradoxo da minha identidade: a intensidade e a leveza...eu sou assim...duas metades de mim"                            (Aurélia Vasconcelos)