Ela cozinha. Pedacinhos de bacon... Gemas, creme de leite, cebola. Noz moscada (sim, colocarei noz moscada). A água ferve na panela. Faz calor, apesar do vento primaveril que sopra entre os fios elétricos. Pela janela aberta uma música entra casa adentro e passeia por cada cômodo, por cada móvel, cada objeto... Agora, ela dança pela cozinha com a faca ao alto, no ritmo da música visitante e do assobio do vento. - Te quiero...Es lo que siento... (Posso guardar cada momento com gestos tão simples). Já não passeia pela casa a mesma canção. Ela deixa de dançar. Uma voz rouca se mete entre o fogão e as panelas; entre os cheiros que percorrem a cozinha... “… de sobras sabes que eres la primera…” Deixa cair a faca...Deveria fechar a janela ( sim, tenho que fechá-la). Mas, não a fecha!! Novamente aquela borboleta solitária dança labirínticamente entre seu peito e estômago. Sabina canta "...porque una casa sin t...