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Mostrando postagens de dezembro, 2010

Ano Novo

Imagem Google Em 2010,depois de haver passado por mares agitados e de ressaca, muitas vezes à deriva, aprendi a navegar por águas calientes e tranquilas como o peixinho da minha imaginação. Assim, nesse anoque agora vem chegando ao fim escolhi VIVER - com tudo o que implica e se complica nessa palavra - meu ano x, y, z...  Vivi meus dias grises e de flores amarelas; minha escuridão.Vivi novas amizades; alegrias do tamanho do oceano e tristezas. Vivi minha ansiedade, meu ciúme; meus rancores e minha raiva.  Vivi o pé na areia, o beijo na boca, os abraços cheios de saudade. O pôr-do-sol, o Pelourinho, novos sabores, cheiros e cores. Vivi os detalhes, a imagem, músicas novas, outros textos. Vivi esse ano intensa e plenamente, aceitei aprender com ele e joguei humildemente a toalha quando me senti incapaz de compreendê-lo. E dele vou me despedindo, com respeito por cada dia vivido, por cada circunstância experimentada; com orgulho por cada hoje sentido na alma. E ...

La Soledad Sonora - Parte II

Gustav Klint "...El segundo peldaño es el enamoramiento: al gustar sigue el querer; al caer en amor, el estar en amor; el flechazo, la voluntad de abrirse en una herida jubilosa; a la ceguera, el iniciar a tientas el recíproco camino de la aproximación; a la pasión - con lo que tiene de inacción y de padecimiento - una conciencia activa, una afirmación y, en definitiva, una elección. En el tercer peldaño al querer sigue el amar en estricto sentido: el yo te amo, con esos dos pronombres personales por delante. Ahora se trata de un proyecto común: algo severo a la vez que gozoso; ingresar en la cámara nupcial. No en una cama episódica y aventurera, sino en un lugar donde el connubio lleva aparejado el convivio, donde el sentimiento se complica y se implica en la convivencia. Y donde hacer el amor no se confunde con hacer los gestos del amor, sino que consiste en una ardua labor: ayudar a otra persona - la más próxima - a cumplirse, y que tal ayuda nos ayude a cumplirnos. O sea, ...

De Antonio Gala, La Soledad Sonora - I Parte

Frank Bernard Dicksee (1853-1928)-'Romeo and Juliet'-oil on canvas-1884   Southampton-City Art Gallery " El hombre está previsto para vivir en sociedad y para aparearse . " No es bueno que esté solo", dice al principio el Génesis. Y luchará con todas sus fuerzas por no estarlo. La naturaleza le suministra un instrumento que será más o menos rústico según sea utilizado de una forma más o menos personal y concreta: el amor.  A nadie se le obliga a la heroicidad. Quedémonos con el amor de la pareja (en ella está muy claro: es un deseo de unión, el más inmediato antídoto contra la soledad, el águila bicéfala), y pongámonos en el mejor de los casos: una pareja que haya atravesado, a un tiempo y de la mano, todas las antecámaras del amor: la del amor-impulso, vivido como una atracción física; la del amor-sentimiento, vivido como una atracción y una posterior adhesión de caracteres; la del amor-decisión, desarrollado como una convivencia. No es fácil, por supuesto,...

Reencanto

 Imagem Google  "...Para reencantar o mundo, é suficiente descobrir que o verdadeiro encanto da vida é a vida mesmo."    C. Caligaris)

Conto sem título

Era uma vez um reino bem escondidinho, cuja geografia ninguém sabia ao certo. Há quem chegasse a pensar que, a cada tempo, tal reino iria mudando suas fronteiras, para que jamais fosse possível precisar seu paradeiro em um mapa, tampouco na memória. Um reino sem estandarte definitivo: dependendo da estação do ano poderia vislumbrar-se, tremulando, nas mais altas torres dos castelos, diferentes bandeiras: no verão, as tinham azuis como costumavam ser azuis as águas cristalinas de seus lagos; no inverno, as bandeiras continham desenhos da geada do amanhecer e na primavera tremulavam vestígios de flores e andorinhas. No outono, as bandeiras não ostentavam símbolo algum, pois, no reino, era o tempo das folhas secas, caídas... Nesse reino de localização incerta, viviam felizes um rei e uma rainha e seus - vai lá - três filhos. Nada lhes faltava, ainda que lhes sobrasse pouco. Mas não se queixavam...Era um reino de poucos ruídos e muitos silêncios. De segredos, mas de janelas e p...

E de novo a armadilha dos abraços

Imagem google E de novo a armadilha dos abraços. E de novo o enredo das delícias. O rouco da garganta, os pés descalços a pele alucinada de carícias. As preces, os segredos, as risadas no altar esplendoroso das ofertas. De novo beijo a beijo as madrugadas de novo seio a seio as descobertas. Alcandorada no teu corpo imenso teço um colar de gritos e silêncios a ecoar no som dos precipícios. E tudo o que me dás eu te devolvo. E fazemos de novo, sempre novo o amor total dos deuses e dos bichos. (Rosa Faria de Lobato)

Nem todo o corpo é carne...

Nem todo o corpo é carne… Não, nem todo. Que dizer do pescoço, às vezes mármore, às vezes linho, lago, tronco de árvore, nuvem, ou ave, ao tacto sempre pouco…? E o ventre, inconscientemente como o lodo?… E o morno gradeamento dos teus braços? Não, meu amor… Nem todo o corpo é carne: é também água, terra, vento, fogo… É sobretudo sombra à despedida; onda de pedra em cada reencontro; no parque da memória o fugidio Vulto da Primavera em pleno Outono… Nem só de carne é feito este presídio, pois no teu corpo existe o mundo todo! (David Mourão-Ferreira)