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Mostrando postagens de março, 2020

Pececitos

Minha memória é como um cardume de peixinhos coloridos que dança inquieto pela água. Desliza tão rápido, não consigo segurá-lo entre minhas mãos. Minhas lembranças são cardumes que nadam contra a corrente; viajam para tão longe...no tempo. Ontem, tentei pescar uma lembrança e, quando quase consegui, ela com suas escamas brilhantes, devolveu- uma imagem difusa. Deixei-a ir, livre, nadar com suas companheiras. Quem sabe, um dia, enquanto ando descalça por novas praias, eu e a lembrança nos reencontremos e ela possa contar-me algo da mulher que fui... Ou da pescadora que tentou fisgá-la com iscas artificiais, mas resignadamente deixou-a partir. 
Não durmo. (tictactictactictac) Acho que não me deixam dormir Ou, então, dormir não sei (tictactictactictac) Noite, Ensina-me a adormecer Fora do teu peito E prometo Arrumar as botas Atrás da porta E não mais fazer Barulhos com os olhos

Ventanas

Valeria uma análise discursiva sobre o significado simbólico das janelas da nossa casa, nestes dias de quarentena por conta da propagação da covid -19. Elas vestem-se da metáfora de "janelas da alma". Estamos em autoisolamento. Confinados em  casa,  ver o sol bater na janela do nosso quarto nunca foi tão bonito e melancólico, ao mesmo tempo. A vida social, o partilhar ruas, parques, praças, praias, cafés e bares, nos está proibido. Na velocidade da luz, tivemos que entender que o convívio é um risco que não se pode assumir se quisermos chegar juntos ao final dessa crise: nós e nossos afetos. Reclusos estamos tentando aprender a lidar com o tempo que temos para viver tudo o que antes não tínhamos tempo para viver...Despertamos e dormimos entre as mesmas paredes, como os mesmos rostos ou sem rostos para ver. Reinventamos rotinas, banais e profundas; a mente se distrai ou se obstina com a ideia de romper o cerco, porém as notícias que chegam devastam as tentativas de imaginar q...