Valeria uma análise discursiva sobre o significado simbólico das janelas da nossa casa, nestes dias de quarentena por conta da propagação da covid -19. Elas vestem-se da metáfora de "janelas da alma". Estamos em autoisolamento. Confinados em casa, ver o sol bater na janela do nosso quarto nunca foi tão bonito e melancólico, ao mesmo tempo. A vida social, o partilhar ruas, parques, praças, praias, cafés e bares, nos está proibido. Na velocidade da luz, tivemos que entender que o convívio é um risco que não se pode assumir se quisermos chegar juntos ao final dessa crise: nós e nossos afetos. Reclusos estamos tentando aprender a lidar com o tempo que temos para viver tudo o que antes não tínhamos tempo para viver...Despertamos e dormimos entre as mesmas paredes, como os mesmos rostos ou sem rostos para ver. Reinventamos rotinas, banais e profundas; a mente se distrai ou se obstina com a ideia de romper o cerco, porém as notícias que chegam devastam as tentativas de imaginar que em breve tudo voltará ao normal. Nos sobram as janelas para dizer ao outro que estamos aqui, assustados e inseguros; um pouco "médicos", um tanto "loucos" por cada notícia que acompanhamos. Então..
Nos restam as janelas para dizer obrigada a quem sequer conhecemos, mas por quem aprendemos a nutrir imenso reconhecimento. Nos sobram as janelas para gritar, dançar, cantar "parabéns p você". Elas são nossa expressão, por ela emitimos nossos "sinais de fumaça"; protestamos, batemos panelas e nos reconhecemos. Escutei a voz da minha vizinha do 16º andar pela primeira vez quando ela gritou #forabolsonaro; vi que a minha vizinha do 5 º andar é loira e tem dois filhos pequenos...Nos vimos, na verdade. Já não somos tão desconhecidos como sempre temos sido.
Há vidas por detrás e nas janelas.
Há afeto.
Há um sentimento de comunidade que pode nascer e, quem sabe, ficar para depois do caos.
Há um ensaio de uma versão melhor de nós mesmos.
De uma maneira muito mais ecumênica e nada dogmática, penso que a sabedoria popular é feliz ao dizer que "quando uma porta se fecha, uma janela se abre"... Melhor, 50, 100, 1000, incontáveis janelas abertas a convidar mais 50, 100, 1000, 10000, incontáveis janelas abertas a convidar...
Nos restam as janelas para dizer obrigada a quem sequer conhecemos, mas por quem aprendemos a nutrir imenso reconhecimento. Nos sobram as janelas para gritar, dançar, cantar "parabéns p você". Elas são nossa expressão, por ela emitimos nossos "sinais de fumaça"; protestamos, batemos panelas e nos reconhecemos. Escutei a voz da minha vizinha do 16º andar pela primeira vez quando ela gritou #forabolsonaro; vi que a minha vizinha do 5 º andar é loira e tem dois filhos pequenos...Nos vimos, na verdade. Já não somos tão desconhecidos como sempre temos sido.
Há vidas por detrás e nas janelas.
Há afeto.
Há um sentimento de comunidade que pode nascer e, quem sabe, ficar para depois do caos.
Há um ensaio de uma versão melhor de nós mesmos.
De uma maneira muito mais ecumênica e nada dogmática, penso que a sabedoria popular é feliz ao dizer que "quando uma porta se fecha, uma janela se abre"... Melhor, 50, 100, 1000, incontáveis janelas abertas a convidar mais 50, 100, 1000, 10000, incontáveis janelas abertas a convidar...
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