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Escrevo

Quem escreve o faz solitariamente. Atravessa os corredores de um labirinto cuja saída pode ser a última palavra da última página que criou.
Por que escrevo?
Escrevo talvez como exercício de supervivência. Talvez escreva para me esquivar da vida ou vivê-la intensamente. Escrevo por paixão, pois toda a escrita pode ser lida como uma carta de amor (!?).
Escrevo para alguém...
Escrevo para expressar o meu próprio humor, a afetividade de que sou feita.
Escrevo com o meu corpo: com o toque, com a carícia.
Escrevo para ninguém...
Às vezes, nem mesmo para mim.
Escrevo para dar guarida ao que sinto e penso.
Para quem não está próximo, para quem habita os abismos ou os fossos.
Escrevo para cauterizar as feridas, que é o mesmo que dizer que escrevo para abri-las.
Escrevo para acolher. Para dizer desse silêncio que no momento mesmo em que é dito acaba aniquilado. Escrevo para não escrever outras coisas. Para não fazer o que tenho que fazer. Ou, ao contrário, para fazer o que não tenho que fazer.
Escrevo para evitar o prazer o para deixar levar-me por ele.
Não escrevo por tédio. Escrevo pela neurose, pela loucura, pela razão.
Escrevo para libertar o imaginário que me ronda.
Escrevo para que possa sentir as realidades.
Escrevo porque desejo, simplesmente desejo.

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