"O inferno dos vivos não é algo que será; se existe,é aquele que já está aqui,o inferno no qual vivemos todos os dias,que formamos estando juntos.Existem duas maneiras de não sofrer.A primeira é fácil para a maioria das pessoas: aceitar o inferno e tornar-se parte deste até o ponto de deixar de percebê-lo.A segunda é arriscada e exige atenção e aprendizagem contínuas: tentar saber reconhecer quem e o que, no meio do inferno, não é inferno, e preservá-lo, e abrir espaço."(Italo Calvino-As Cidades Invisíveis").
Eu gosto de pensar que os personagens dos meus filmes, livros e séries preferidos seguirão mesmo depois da última cena, do último capítulo, do episódio final. Sentir todo final como difícil, melancólico, acho que vale para uma porção de coisas para as quais em um determinado momento precisamos dar um aceno, dizer adeus, colocar um ponto final. Por que deveria ser tão diferente se despedir da nossa série favorita? Daquele livro que a gente leva para o banheiro, porque é muito angustiante ter que esperar para saber o que "ela" vai descobrir naquela vizinhança misteriosa? Em seguida da cena final, ali no momento dos créditos, sempre fico quieta, olhando detidamente cada nome, cada função de quem nunca apareceu na tela. Acho que sinto que a despedida não é completa se eu não puder "abraçar" mentalmente aqueles e aquelas que me fizeram sentir tão diferente do meu dia a dia. Esses seres discretos que conseguiram acalentar a minha alma por conta da bela fotografia ou me f...
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