Serás sempre a vidraça do trem que me atravessa os dias a quilômetros por hora.
Ou o meio metro de nó, sem corda, que prende o limoeiro à flor.
Não tenho passagem.
Queimei todas as viagens em aviõezinhos de papel...
No entanto, alguém tinha inventado o trem.
E lá no peitoril, esquecido na poeira da casa, estarei eu:
debruçada, do lado do lado de dentro do trem que corre veloz;
na medida férrea das linhas das mãos
que guardam bagagens sem destino...
O desespero da locomotiva que morre a cada estação
é apenas
o adeus de quem
não pode trocar de mundo.
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