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Amanheceres...

http://www.google.com/ Alguém pode chegar a pensar que não seja possível ver o mundo desde a janela de minha casa. Não me preocupo com isso. Há certas coisas que perdem o sentido quando as explicamos. Pode acontecer de que sem sair se saia e que sem entrar se esteja sempre encerrado no mesmo lugar . Eu levo um tempo observando-a. A manhã que vai chegar prepara tudo antecipadamente. Já ao entardecer, se despe em cores de um casulo...Espreguiça-se e coloca uma fita no cabelo, uma camisa velha do tipo que usamos quando pintamos nossa sala de várias cores. Sonha que voa e acompanha o vento. Sem pressa, sem cronometrar o tempo, sem buscar vencê-lo.   Quando acorda toma um longo banho. Café puro, sem açúcar... Olha através da janela o infinito, como se pudesse adivinhar o que mais tarde passará, soprando a bebida quente, nesse dia  tão esperado.  Jazz. Paixão. Amanhecerá. Ela entrará pela minha janela de vidros embaçados....

Meu amor bonito...

                                          www.google.com                       "(...)Tenho um amor bonito que não acaba mais".                                                                                            P.Antoniette

O sonho da Moça

Metades

 Ilustração Maggie Taylor                  'Descobri o grande paradoxo da minha identidade: a intensidade e a leveza...eu sou assim...duas metades de mim"                            (Aurélia Vasconcelos)                                  

Vaidade

www.google.com Sonho que sou a poetiza eleita aquela que diz tudo e tudo sabe, que tem a inspiração pura e perfeita, que reúne num verso a imensidade! Sonho que um verso meu tem claridade para encher todo mundo! E que deleita mesmo aqueles que morrem de saudade! Mesmo os de alma profunda e insatisfeita! Sonho que sou alguém cá neste mundo... Aquela de saber vasto e profundo, aos pés de quem a Terra anda curvada! E quando mais no céu eu vou sonhando, e quando mais no alto ando voando, acordo do meu sonho...E não sou nada!...                Florbela Espanca

Casulo

Foto: Casulo, Ana Marques Psiu... Depois de tanto olhar para trás, ela voltou àquela janela. E como das outras vezes, sentou-se na velha cadeira a admirar o céu do final da tarde (tão dona de si; tão dona do seu tempo; tão certa do que queria.)Percorreu com o olhar o desenho irregular daquela rua, a agitação das pessoas no vai-e-vem de suas rotinas.Voltou a sentir os cheiros que até então eram ausência em seu presente. Seus olhos faziam barulho: negavam-se a perder por um minuto sequer os diários movimentos daquele mundo tão seu... Psiu... Dentro dela, sabia que algo estava diferente, havia passado tanto tempo. Fotografias do velho mundo. Nada no lugar exato. Nem mesmo ela...Difícil não desejar olhar uma vez mais a vida que agasalhava nas mãos. Mas jogo perigoso esse boomerang com o tempo. Nunca estar plena no instante, casulo do tempo vivido. Ah, o agora. Nua. Tua. Lua. Olhar para trás, outra vez... Psiu...