Sentada, diante do meu computador, me dou conta de estamos todos ligados a diversos aparelhos portáteis de música: mps 3, 4, 5, 6, 7 infinitus…
Eles nos permitem ser deuses, em escala menor, de um mundo privado e irrepetível. Nos transformam em seres supremos, capazes de decidir, ainda que por poucos minutos, os limites entre o Bem e o Mal, entre o que pode ser e o que deve ser; nos permitem ver a dimensão do tempo que passa.
Nas nossas playlists favoritas definimos o complexo mapa desse mundo: uma geografia pessoal de altos e baixos, de idas e vindas; de aconchegantes vales e depressões onde podemos guardar nossos sonhos; rios que se desenvolvem tranquilos ou que arrasam tudo que encontram à frente. Um universo em que vivem criaturas sonoras, feitas a nossa imagem e semelhança, que colocamos em lugares que não compreendem, esperando que façam algo, que busquem seu lugar. Como se fosse fácil!
Sem saber, levamos conosco uma reprodução sonora do que vai em nossas mentes a qual tentamos manejar com a frieza própria do Deus do Antigo Testamento: “Sacrifica teus filhos” ou “Te fulmino de minha lista”.
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