(Capítulo do livro A Elegância do Ouriço de Muriel Barbery "De um corredor às Alamedas)
"Qual é essa guerra que travamos na evidência de nossa derrota? Manhã pós manhã, já exaustos com todas essas batalhas que vêm, reconduzimos o pavor do cotidiano, esse corredor sem fim que, nas derradeiras horas, valerá por destino por ter sido tão longamente percorrido. Sim, meu anjo, eis o cotidiano: enfadonho, vazio e submerso em tristezas. As alamedas do inferno não são estranhas a isso; lá caímos um dia por termos ficado ali por muito tempo. De um corredor às alamedas: então se dá queda, sem choque nem surpresa. Cada dia reatamos com a tristeza do corredor e, passo após passo, executamos o caminho da nossa sombria danação.
Ele terá visto as alamedas? Como se nasce, depois de se ter caído? Que pupilas novas em olhos calcinados? Onde começa a guerra, e onde cessa o combate?
Então, uma camélia."
Terminei de ler A elegância do ouriço. Chorei. Não por que Renée morre no final. Mas sim por encontrar nas últimas páginas, a ideia do livro. A Elegância trata exatamente da elegância: da elegância de atitudes e da singularidade de pessoas e situações, da leveza que pode estar presente nas circunstâncias da vida. Coisas sobre os quais, geralmente, não projetamos nosso olhar, acostumados a que estamos aos clichês, às idealizações, aos modelos. Como declara a protagonista o olhar percebe mas não escruta, acredita mas não questiona, recebe mas não procura (...) Vazio de desejo.
Quem é este que está aqui? Em quem me escondo e quem se esconde em mim? Que pupilas se deixarão queimar de camélias? Que olhar se abrirá às flores amarelas que vivem nos pântanos? Ah...!
Somos singulares, nossas mentes são singulares, ainda que algumas experiências sejam semelhantes; ainda que tenhamos desejos comuns, passemos por dores similares.
Às vezes ouriço, às vezes pérola. Comidos pela rotina, inundados pelo desejo, sentindo a leveza do amor, absorvidos por nossas obsessões e compulsões, estamos aqui, agora!
E a vida se movimenta, se movimenta e pede olhares renascidos.
Há beleza neste mundo há beleza neste mundo há beleza neste mundo há beleza neste mundo há beleza neste mundo há beleza...
Às vezes ouriço, às vezes pérola. Comidos pela rotina, inundados pelo desejo, sentindo a leveza do amor, absorvidos por nossas obsessões e compulsões, estamos aqui, agora!
E a vida se movimenta, se movimenta e pede olhares renascidos.
Há beleza neste mundo há beleza neste mundo há beleza neste mundo há beleza neste mundo há beleza neste mundo há beleza...
Camélias...

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